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SACRIFÍCIO / SACRALIZAÇÃO / ABATE / CONFUSÃO

February 25, 2015

Todas as vezes que surge a discussão sobre o sacrifício de animais em rituais religiosos, o cerne da questão é desviado, ou para questões semânticas, ou para a definição de competências de quem recolhe os animais depositados em oferendas nas esquinas, matas e pedreiras, e outras argumentações que surgem como consequência das mortes. Mas as consequências são apenas “consequências”, as causas é que precisam ser discutidas.


E não está sendo diferente neste debate sobre o PL da deputada Regina Becker Fortunati, que pretende revogar uma emenda de autoria do então deputado Edson Portilho, que isenta as religiões de matriz africana, do cumprimento do Código Estadual de Proteção Animal.

 

Em primeiro lugar vem o argumento de que os animais não são sacrificados, e sim sacralizados, que são santificados, que são reverenciados, que tudo é feito com muita dignidade e respeito pelo animal, inclusive ele recebe um pedido de perdão. 


Acreditamos que essas questões semânticas são importantes para os praticantes desses rituais, e mesmo para nós, público em geral, e valem como conhecimento e informação. Mas convenhamos, para o animal, pouco lhe importa o nome que deem para a sua morte. Ele é morto por sangria, lenta e dolorosamente. Podem chamar a isso de sacrifício, ou sacralização, não faz a mínima diferença no resultado final.

 

Esse primeiro ponto deve ficar muito claro. O fato em si (morte por sangria) é feio e brutal. Para amenizar, dá-se um nome bonito e uma significação, como se isso mudasse, de alguma maneira que o fato em si É FEIO E BRUTAL, e que não é um nome bonito que vai mudar a questão. Não muda, tenta mascarar, fazendo com que as pessoas se impressionem com a importância que é dada ao animal, despreocupando-se de COMO OCORRE ESSA SACRALIZAÇÃO.

 

A discussão também costuma recair no mesmo chavão: “as pessoas consomem carne, e os animais abatidos nos rituais também são consumidos, não sendo permitido o desperdício” . Ou então, “porque não proíbem os matadouros de abater”, ou de outra forma, “por que não reclamam que os matadouros abatem os animais”?

Esse é um péssimo argumento que TENTA colocar em xeque os que defendem os direitos dos animais. 


Sim, os matadouros abatem animais para o consumo. Infelizmente vivemos numa sociedade onívora, de cultura carnista, e não existe lei que proíba a criação, o transporte e o abate desses animais. E como não existe lei que proíba, não existe nada a ser feito em relação a isso, pelo menos no momento. A curto prazo, nosso esforço deve ser pela divulgação do veganismo Isso já está sendo feito, e o vegetarianismo e o veganismo tem tido um crescimento rápido e importante no número de adeptos. Mas, se aqueles que praticam a morte de animais em rituais religiosos pretendem seguir com esse argumento, e essa comparação, fazemos uma proposta: NÃO EXISTE LEI QUE PROÍBA, MAS EXISTEM LEIS QUE REGULAMENTAM. SIGAM AS NORMAS DEFINIDAS PARA O ABATE HUMANITÁRIO E A DISCUSSÃO SOBRE O USO DE ANIMAIS EM RITUAIS RELIGIOSOS ENCERRA AQUI.

 

Que fique claro que o abate humanitário, solução bem estarista, não é aceita por aqueles que lutam pela libertação dos animais, mas diante da realidade e do momento em que vivemos, a abolição do carnivorismo ainda é uma meta distante. Apresentem o nome dos médicos veterinários responsáveis técnicos pela criação dos animais que serão abatidos e consumidos nos rituais religiosos. A lei é clara, e vasta, e exige uma série de cuidados relativos à sanidade dos animais. Expliquem como se dá o transporte desses animais. Está de acordo com a legislação vigente para esse procedimento? E finalmente, CONFORME A LEI, insensibilizem os animais antes da sangria, sob a supervisão de um médico veterinário responsável técnico. Somente depois de serem adotadas essas práticas, pode haver uma comparação entre o abate para consumo, regulado por farta legislação, e o abate de animais em liturgias religiosas. Se esse animal é usado para consumo, esse abate é clandestino.

 

Certamente haverá protestos, pois para a entidade espiritual, o que “importa” é justamente a vitalidade do animal, e um animal insensibilizado não tem vitalidade. Sendo assim, os animais mortos em rituais religiosos, devem ser sangrados vivos e conscientes, invalidando o argumento de “ABATE PARA CONSUMO”.

 

É hora de cada um assumir seus atos. A morte de um animal dentro de um ritual religioso é precedida de sofrimento, pânico e dor. Segundo seus praticantes, nada pode ser feito com relação a isso. É assim, sempre foi assim, e deve continuar sendo assim. E é justamente, e somente isso, que está sendo discutido. A sociedade não aceita mais a exploração e a crueldade contra os animais.

 

Maria Luiza Nunes

MGDA

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